In Doenças, Olfact

A prevalência de alterações olfatórias e gustatórias, tempo de recuperação e gravidade dos sintomas foi tema de um estudo da equipe brasileira de cientistas liderada pelo Prof. Fabio de Rezende Pinna, da FMUSP, em colaboração com cientista da Universidade da Pensilvânia – USA

Um estudo publicado recentemente na revista Otolaryngology–Head and Neck Surgery que teve participação do Prof. Dr. Marco Aurélio Fornazieri, investigou a porcentagem de indivíduos brasileiros com COVID-19 que relataram perda olfatória ou de paladar, além da gravidade e o tempo de recuperação.
O estudo foi realizado com 655 indivíduos, na faixa etária de 18 a 65 nos, que testaram positivo para COVID-19 no exame RT – PCR. Os participantes foram recrutados e entrevistados por telefone, redes sociais e pessoalmente (hospital).

A gravidade do olfato e déficits na percepção dos sabores foi avaliado com uma escala de 11 pontos de 0 (função normal) a 10 (sem função); pacientes com pontuação 10 foram considerados com anosmia e ageusia, respectivamente. A magnitude da perturbação com estes sintomas foi verificada com uma escala semelhante (0, nenhuma perturbação; 10, muita perturbação) e escalas de 1 a 3, 4 a 7 e 8 a 10 foram consideradas leve, moderado e grave, respectivamente.

O dia inicial da queixa olfatória e gustatória foram calculados considerando o dia do primeiro sintoma. A presença de sintomas nasais durante a doença foi denotado como sim / não.

Os achados do estudo demonstram uma alta prevalência de graves autorrelatos de distúrbios olfatórios e gustativos em pacientes hospitalizados e não hospitalizados com COVID-19.

Os pesquisadores observaram que 82,4% dos indivíduos entrevistados tiveram disfunção olfatória; 76,2% queixaram-se de diminuição da gustação como um todo e 52,2% citaram alteração percepção do sabor. Além disso, A prevalência de alterações olfatórias e gustativas permaneceram elevadas durante o período de 2 semanas, após o primeiro dia dos sintomas.

O início da disfunção olfativa ocorreu, em média, 3,5 dias após o início dos outros sintomas. Setenta pacientes (12,8%) relataram comprometimento do olfato como único ou entre os primeiros sintomas ou ocorrendo concomitante a outros sintomas da COVID-19. A maioria dos indivíduos do estudo apresentaram alterações severas de olfato e paladar (anosmia e ageusia, respectivamente).

Na pesquisa, a presença de alterações no olfato e paladar não foi associada à gravidade do COVID-19 (ou seja, necessidade de ventilação invasiva e admissão na UTI), além de não ter apresentado relação com a idade, raça e outros fatores.

Nesse estudo, o Prof. Marco entrevistou 143 pacientes com história de perda olfatória ou de paladar por COVID-19 entre 36 e 119 dias após o início dos sintomas. E uma boa noticia é que houve uma diminuição significativa na gravidade dos sintomas olfatórios e gustatórios com o tempo. Mais da metade dos pacientes relataram recuperação total do olfato e da função gustativa. Mas, curiosamente, uma porcentagem menor de mulheres relatou recuperação total dos sintomas em relação aos homens.

Mais estudos precisam ser realizados para conhecermos melhor como o COVID-19 afeta o olfato e paladar, bem como o tempo de recuperação dos sintomas. Algo que também deve ser investigado são as alterações persistentes.

 

Andressa Pelaquim
Mestre e Doutoranda em Ciências da Saúde – CCS/UEL

Referência
Brandão Neto D, Fornazieri MA, Dib C, et al. Chemosensory Dysfunction in COVID-19: Prevalences, Recovery Rates, and Clinical Associations on a Large Brazilian Sample [published online ahead of print, 2020 Sep 1]. Otolaryngol Head Neck Surg. 2020;194599820954825. doi:10.1177/0194599820954825.
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