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Os estímulos olfatórios naturais é uma composição de diversos odores. A primeira classificação de odores foi realizada há quase três séculos por Linnaeus em 1756.  

O primeiro estudo que tentou encontrar a quantidade de odores que nosso sistema olfatório seria capaz de discriminar foi realizado pelos químicos Crocker e Henderson (1927). Nesse estudo, a partir de quatro tipos de odores, os pesquisadores estimaram que o sistema olfatório humano fosse capaz de discriminar ao redor de 10.000 estímulos. 

E a partir desse estudo, muitos outros surgiram na tentativa de estimar com mais precisão a quantidade exata de cheiros que o olfato humano é capaz de discriminar.

O estudo de Ohloff (1994), por exemplo, demonstrou que o cheiro característico de uma rosa é produzido por uma mistura de 275 componentes, mas que apenas uma pequena porcentagem desses componentes contribui para a percepção do cheiro. 

Um estudo publicado na revista científica Science por Bushdid e cols. (2014) buscou investigar a capacidade de discriminação olfatória a partir da mistura de 10, 20 e 30 componentes, escolhidos de uma coleção de 128 moléculas odoríferas. O resultado do estudo demonstrou que os humanos podem, em média, discriminar mais de 1 trilhão de estímulos olfatórios a partir da mistura de 30 componentes. Entretanto, os cientistas ressaltam que há muito mais moléculas além das 128 que foram consideradas para o estudo e que é possível realizar misturas com muito mais de 30 componentes. Outro ponto é que misturas feitas com os mesmos componentes podem apresentar diferentes estímulos, se os componentes forem misturados em diferentes proporções. 

Isso mostra que talvez podemos sentir muito, mas muito mais de 1 trilhão de cheiros.

 

Figura 1: Bushdid e cols. (2014). The number of discriminable olfactory stimuli. (A) Discrimination capacity of subjects according to percentage of mixture overlap. (B) Discriminability of mixture pairs according to percentage of mixture overlap. (C) Extrapolation of the number of discriminable mixtures derived from (A). (D) Extrapolation of the number of discriminable mixtures derived from (B). (E) Summary of discriminable sensory stimuli across sensory modalities. Data are curated from the following sources: smells (previous estimates) (5–7), tones (3), and colors (1, 2).

 

Esse estudo também demonstrou que o sistema olfatório humano é capaz de identificar uma frequência muito maior de cheiros em comparação, por exemplo, com a quantidade de cores e tons que o sistema visual e auditivo, respectivamente, é capaz de discriminar (Figura 1). 

Dessa forma, devemos cuidar do nosso sistema olfatório, assim como cuidamos da visão e da audição. Não podemos correr o risco de perder a capacidade de sentir as melhores fragrâncias da vida. 

 

Andressa Pelaquim

Doutoranda em Ciências da Saúde – UEL

 

Referências

Linnaeus C. 1756. Odores medicamentorum. In: Amoenitates academicae. Stockholm (Sweden): Lars Salvius. 183–201. 

Crocker EC, Henderson LF. Am. Perfum. Essent. Oil Rev. 1927; 22: 325.

Ohloff G. Scent and Fragrances: The Fascination of Odors and Their Chemical Perspectives [W. Pickenhagen,B. M. Lawrence, Transl. Springer-Verlag, Berlin, 1994. 

Bushdid C, Magnasco MO, Vosshall LB, Keller A. Humans Can Discriminate More than 1 Trillion Olfactory Stimuli. Science. 2014; 343(6177):1370-2. DOI: 10.1126/science.1249168.

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