In Olfact

Atualmente, com o aumento da expectativa de vida, a humanidade enfrenta um grande processo de envelhecimento populacional. O envelhecimento traz inúmeras modificações fisiológicas aos sistemas sensoriais. Além da perda auditiva e alterações visuais, a diminuição ou perda da capacidade de sentir cheiros também é um sinal característico desse processo.

Alterações olfatórias podem ser causadas por infecções virais, trauma cranioencefálico (TCE), sinusite crônica, rinite, etc. Pesquisadores identificaram que a perda olfatória pós-viral é a principal etiologia em idosos. Entretanto, também podem indicar a presença de doenças neurológicas.

Há estudos que mostram a perda de olfatória em doenças neurológicas, como na Doença de Huntington, Esclerose Múltipla, Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), etc. Entretanto, a perda do olfato é considerada um dos sintomas iniciais de doenças neurodegenerativas que mais predominam no envelhecimento, como é o caso da Doença de Alzheimer e Doença de Parkinson.

A alteração olfatória pode ser percebida alguns anos antes ao surgimento dos sintomas clínicos da Doença de Parkinson e da Doença de Alzheimer, e por isso é considerada um marcador clínico para o início e progressão das mesmas.

Na Doença de Parkinson a disfunção olfatória relaciona-se com função dos receptores de dopamina, tanto na porção periférica quanto central do sistema. No sistema nervoso central, a dopamina é um neurotransmissor que modula a atividade sináptica no bulbo olfatório e no córtex entorrinal. Já na Doença de Alzheimer, a perda olfatória ainda é pouco compreendida. Os primeiros relatos de disfunção olfatória na doença de Alzheimer datam da década de 70 e até hoje, muitos estudos ainda buscam compreender os mecanismos envolvidos. Alguns pesquisadores relatam que a perda de olfato na Doença de Alzheimer pode ser explicada pelo fato do córtex olfatório primário apresentar alta concentração de placas neuríticas (PN) e emaranhados neurofibrilares (ENF).

A perda olfatória afeta a qualidade de vida e a segurança pessoal, uma vez que, por exemplo, o indivíduo perde a capacidade de avaliar as condições de sua higiene pessoal, identificar o cheiro de uma comida estragada, cheiro fumaça ou um vazamento de gás em casa.

Importante lembrar que a alteração olfatória associa-se comumente à alteração no paladar, uma vez que essas funções sensoriais estão interligadas. A literatura traz que pelo menos um terço dos idosos são insatisfeitos com seu olfato e paladar. Estima-se que cerca de 70% da população idosa apresente algum grau de alteração olfatória.

Dessa forma, a avaliação da função olfatória em idosos faz-se importante para detectar diversas patologias. Ela pode ser realizada por meio da história clínica, pelo Teste de Identificação do Olfato da Universidade da Pensilvânia (UPSIT), entre outros, a depender das condições cognitivas do paciente. O tratamento também varia de acordo com as causas da disfunção olfatória, que é classificada em condutiva, sensorioneural e mista. Quando há alterações neurais, como no caso das doenças neurodegenerativas, o tratamento torna-se mais difícil e muito pouco eficaz, mas o diagnóstico precoce pode auxiliar em resultados mais promissores.

 

Referências

Özdener MH, Rawson NE. Olfactory dysfunction in neurodegenerative diseases. Eur J Gen Med 2004; 1: 1-11. https://doi.org/10.29333/ejgm/82202.

Fornazieri MA, Borges BBP, Bezerra TFP, Pinna FR, Voegels RL. Main causes and diagnostic evaluation in patients with primary complaint of olfactory disturbances. Braz J Otorhinolaryngol. 2014; 80:202-7. http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2014.02.001.

Godoy, MDCL. Acometimento do epitélio olfatório pela doença de Alzheimer: um estudo de correlação clínico-patológica [tese]. São Paulo: Faculdade de Medicina; 2015. doi:10.11606/T.5.2015.tde-05102015-122610.

Recent Posts
Entre em contato conosco

Responderemos o mais breve possível.

WhatsApp chat