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Assim como ocorre em infecções virais por Citomegalovírus, Herpes, HIV, Zika Vírus, entre outros, os estudos demonstram que o novo coronavírus (SARS-CoV-2) causador da COVID-19 apresenta predileção por infectar neurônios.

Os neurônios expressam a proteína ACE2, que é uma enzima conversora de angiotensina 2. Essa proteína é abundante no sistema nervoso e é utilizada pelo vírus SARS-CoV-2 para invadir as células humanas de diversos tecidos, como o pulmonar, por exemplo.

A Infecção das células neuronais pode ocorrer por meio de uma tempestade de citocinas, que é uma resposta imune anormal que ocasiona encefalite autoimune ou pode ocorrer pela infecção direta do sistema nervoso central, demoninada encefalite viral.

Há fortes indícios de que a porta de entrada para o novo coronavírus é a via intranasal, e que o vírus atinja o cérebro antes mesmo de chegar aos pulmões. No epitélio olfatório há células receptoras, ou seja, neurônios bipolares que apresentam receptores periféricos quimiosensitivos e prolongamentos amielínicos que se dirigem até o sistema nervoso central.

Segundo o neurocientista Prof. Dr. Roberto Lent, o vírus passa de um neurônio a outro através das sinapses, e segue com grande velocidade ao cérebro, justamente para regiões-chaves do controle cardiorrespiratório, responsáveis pelo monitoramento e comando dos músculos e vasos sanguíneos que mantêm a função do coração e dos pulmões em níveis adequados.Dessa forma, sugere-se que a infecção pelo novo coronavírus tenha o seu inicio na mucosa olfatória e atinja as regiões cerebrais por meio dos feixes do trato olfatório que seguem até o córtex cerebral.

Os resultados preliminares de alguns estudos sobre essa questão já estão sendo divulgados.

As primeiras análises de autópsias de pacientes que tiveram a morte confirmada por COVID-19 demonstraram a presença do coronavírus-2 no cérebro de quatro indíviduos, por meio do exame de PCR. Em dois casos, os patologistas da Universidade de São Paulo (USP) relataram ter encontrado sinais de Acidente Vascular Encefálico (AVE). Na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), os cientistas confirmaram por meio de experimentos feitos com cultura de células que o SARS-CoV-2 é capaz de infectar neurônios humanos.

As primeiras manifestações neurológicas e mais comuns relatadas na literatura são a perda de olfato e do paladar. Entretanto, estudos vêm relatando outras manifestações a nível de sistema nervoso periférico e central, como confusão mental, encefalites, AVE, vertigem, convulsões, dor nos nervos, demonstrando que a COVID-19 pode afetar os neurônios.

Enquanto os pesquisadores tentam descobrir como que o novo coronavírus invade o cérebro humano, bem como suas implicações imediatas e futuras nas funções cerebrais, a evidência da neuroinvasividade do SARS-CoV-2 por via intranasal ressalta a relevância do uso de máscaras e do distanciamento social.

 

Referências

APAN – Associação Paulista de Neurologia. Autópsias em São Paulo encontram coronavírus no cérebro; danos são estudados. (2020). Disponível em: https://www.apan-sp.com.br/post/aut%C3%B3psias-em-s%C3%A3o-paulo-encontram-coronav%C3%ADrus-no-c%C3%A9rebro-danos-s%C3%A3o-estudados.

FAPESP. Novo coronavírus é capaz de infectar neurônios humanos. (2020). Disponível em: http://agencia.fapesp.br/novo-coronavirus-e-capaz-de-infectar-neuronios-humanos/33053/

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