In Olfact

“Não sentir bem o sabor dos alimentos indica na maioria dos casos um problema do olfato e não do paladar.”

Qual o órgão dos sentidos você estaria disposto a perder? Essa foi a pergunta realizada por Toller a um grupo de voluntários. A resposta não foi muito surpreendente: 79% estavam dispostos a perder o olfato. Porém, esse resultado tem uma explicação…

Ao contrário do que boa parte da população pensa, quando não se distingue bem o sabor dos alimentos, o órgão dos sentidos geralmente afetado é o olfato (95% dos casos), presente no nariz, e não o paladar ou gustação, localizado principalmente na língua. Provavelmente, essas pessoas não sabiam que nunca mais poderiam sentir a maior parte do sabor dos alimentos.

As moléculas de odor ao entrarem nas narinas atingem o teto da cavidade nasal, onde está localizado o epitélio olfatório. Nesse epitélio estão presentes os neurônios olfatórios estimulados pelos odores e geradores dos impulsos nervosos interpretados no córtex cerebral como agentes odoríferos.

Outra parte da importante da olfação são os odores que atingem o órgão olfatório quando estamos mastigando os alimentos. Nesses casos, os odores entram pela parte de trás do nariz, através das estruturas chamadas coanas (vide figura).

Pacientes com doenças que afetam o olfato diminuem sua capacidade de apreciar o sabor dos alimentos, têm dificuldade de avaliar a higiene pessoal e podem até mesmo perder seu emprego no caso de funcionários de perfumarias e degustadores de café, chocolate, tabaco, entre outros. Também é difícil imaginar um bombeiro que não sinta o cheiro de fumaça.

As principais causas das doenças olfativas são as rinossinusites (popularmente conhecidas como “sinusites”), as perdas pós-gripais e aquelas após traumas na cabeça. Outras causas podem ser os desvios do septo nasal, a hipertrofia de conchas inferiores (“carne esponjosa”), o uso de drogas inalatórias, alguns antibióticos, quimioterapia e tumores nasais.

A perda do olfato também pode ser o primeiro sinal de doenças neurológicas demenciais. Um assunto muito explorado na literatura médica atual é a presença de alteração olfativa nos primeiros estágios da Doença de Parkinson Idiopática e na Doença de Alzheimer, principalmente naqueles indivíduos com antecedentes dessas doenças na família.

O diagnóstico das doenças do olfato apresentou grande desenvolvimento nos últimos 30 anos seja com testes de identificação de odores – recentemente traduzidos para o português- seja com testes de limiar, em que se verifica a partir de que concentração o indivíduo sente o agente odorífero. Dentre os exames de imagem, a tomografia dos seios paranasais e a ressonância magnética apresentam importante papel na visualização de lesões que comprometem a chegada das moléculas de odor presentes no teto da cavidade nasal.

As opções de tratamento mais utilizadas no tratamento dos distúrbios do olfato são medicações como corticosteróides e a cirurgia endoscópica nasal por vídeo.

Enquanto que nos casos das rinossinusites, o paciente apresenta períodos de melhora do olfato com o uso de corticosteróides e, eventualmente, cirurgia, nas perdas devidas a traumas e medicações geralmente esse sentido tende a permanecer debilitado por mais tempo.

Nos últimos anos, a Academia Brasileira de Rinologia divulga a campanha “Respire pelo nariz e viva melhor”. Vive melhor porque além de se possuir os confortos de uma boa respiração e noite de sono, consegue-se apreciar os bons cheiros de uma comida bem feita e de tantas maravilhas da natureza.

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